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sexta-feira, agosto 10, 2012

Bola neve

A vida não para... a vida é tão rara.

Nossa... estes últimos 12 meses trouxeram tantas mudanças, revoluções, transformações, mexidas no cotidiano, nas certezas, nas durezas...

É como se o apertar de um botão desencadeasse uma avalanche, uma espécie de bola de neve que ainda não parou e não tenho ideia de onde vai parar.

A cada momento que me parece que ela está cessando seu enrolar (e de me enrolar), algo acontece e ela torna a me envolver num turbilhão que tem me deixado sem ar.

Não é que eu tenha perdido o controle. é que percebi que nunca tive.

São aqueles momentos em que crescer é a única alternativa. Não existe outra opção válida nem dá pra voltar.

Não estou mal com isso. Mas um pouco cansada.

O momento agora é de me reconhecer nessa bola de neve. perceber o que é meu e deve ser tratado por mim e o que não é meu e deve seguir com a bola, quando eu conseguir pular.

Enfim... loucuras de um cérebro louco no início do recomeço.


sexta-feira, junho 08, 2012

Sobre expectativas e frustrações...

Tenho muitos defeitos.

Alguns não machucam os outros, o que é bom. Mas me machucam bastante. Aí, passo a tentar lidar com eles de forma a amenizar seus efeitos catastróficos sobre meus sentimentos.
Colocar expectativa demais sobre as relações é um destes...

Tenho a infeliz ideia de achar que tudo é propaganda de margarina... as relações de trabalho, afetivas, amorosas.

E óbvio, não são. Longe disso.

Cada um com seu cada qual, vai levando a vida como pode. Cada um oferece o que tem e quer. E, raramente, ultrapassa-se essa possibilidade. Entendo isso perfeitamente. Racionalmente.

No dia a dia, sempre ofendo à oração de São Francisco de Assis, que diz "que eu procure mais consolar que ser consolado". no fundo, creio que se eu consolar, vou ser consolada... E isso, definitivamente, não é uma verdade.

Entre as minhas qualidades está a capacidade de ouvir e apoiar... cuidar, enfim. Gosto disso. Mas ser cuidada ainda é um desafio e ando até chata de tanto escrever sobre isso. Mas é pra ver se "introduzo a ideia".

Mas, voltando à propaganda de margarina... o que é mais sofrido, é pensar que a "FELICIDADE PERFEITA" não alcançada, é responsabilidade minha. Eita, formação pra culpa!

Aí, tudo isso é pra sugerir um vídeo que foi compartilhado por umas amigas lindas que encontrei nessa vida,, que trata dos mitos da maternidade (e da paternidade)... e que me fez refletir muito sobre essas "cargas de responsabilidade" que teimo em trazer nos ombros.

Trata-se de um casal, comentando os quatro tabus sobre a criação dos filhos. Muito bom. O vídeo está postado AQUI .

Vale a pena assistir.




quinta-feira, janeiro 26, 2012

Pra onde vai a água da chuva?




Respeito (Arnaldo Antunes)

O que está sendo feito
Pode ser de outro jeito
O que já se fez e bem feito
O que está sendo feito
Pode não estar direito
O que passou é perfeito
O que está acontecendo
Pode ter defeito
O que já foi eu aceito
O que está a contecendo
Pode ser de outro jeito
O que passou merece
Respeito


Pra onde vai o respeito? As coisas vividas? as estórias contadas?

Pra onde vai a água da chuva depois da chuva?

Em que momento a luz se apaga? Quando a página é virada?

Tenho muita dificuldade em compreender o que passa na cabeça das pessoas e a forma como lidam com as coisas e dificuldades das pessoas. A escolha pelo mais doído. A opção pelo caminho mais tortuoso... Em nome de que?

"Espero que esse tempo passe". Cansei.

sábado, maio 07, 2011

Inferno astral...

Faltam 21 dias pro meu aníver de 35 anos.
Confesso que estou um tanto assustada com essa idade... Lembro daquele filme com a Marieta Severo, no qual ela repensava, como teria sido sua vida se tivesse feito outras escolhas.
Posso dizer que sou uma pessoa realizada e privilegiada. De certa forma, construí quase todas as coisas com as quais sonhei. Ter tudo seria, de alguma forma, sem graça.
Penso que a tarefa no ciclo que estou quase iniciando seja desenvolver a serenidade e a paciência. Preciso aceitar, como dependente de meus vícios de querer ajeitar tudo e todos, que não sou capaz de fazer isso. E reaprender a viver com esse defeito.
Na real, preciso encarar isso não como um defeito. Mas como parte de mim.
E preciso, definitivamente, mudar coisas que estão me incomodando. Mal comparando. Tem sapatos me machucando. Roupas desconfortáveis. Sons altos demais. Preciso simplificar.
Por hoje é isso...

sábado, agosto 21, 2010

Sobre o que se olha e sobre o que se vê (III)

Já cantou La Negra, que "El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos / Yo el amor no lo reflejo como ayer / En cada conversación cada beso cada abrazo / Se impone siempre un pedazo de razón".
A razão também domina o que se olha e o que se vê.
A razão é que não deixa o amor ter o mesmo reflexo de antes.
A razão não deixa a criança de cada um brilhar e se expor.
A razão não permite que as diferenças convivam de forma a se complementar e assim, ser mais.
A propriedade da razão liquida conversas que poderiam não ter fim... Alguém "tem" e o outro alguém não. Rompe a troca. Rompe o diálogo. Desqualifica o outro.
Mas o tema aqui é o que se vê, como se vê, como se olha.
Considerando o tempo já vivido e as coisas que fui aprendendo nesse tempo, tenho a ideia de que a razão limita o olhar. Porque o direciona para o que possa ser importante. São. Coerente.
Quero olhar com olhos de criança. Descobrir o inusitado. O detalhe. O reflexo. Assim vou poder desvelar o encoberto. Ver o outro lado.
Quero olhar o lado de dentro. Ir além da aparência, na essência.
Não creio que é a razão que me leva a esse ponto de vista.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Adoção


Considero a adoção um grande ato. São milhares de crianças e adolescentes hoje no Brasil, vivendo nos "abrigos" que, por lei, só podem abrigá-los por dois anos. Depois o Judiciário precisa reencaminhá-lo para a família ou achar alguma outra solução.
Como assistente social, tenho contato com algumas histórias assombrosas. Abrigos que são mini-presídios, mini-manicômios, e que, junto com a escola e outras instituições comprovam que a institucionalização da questão social só a perpetua. Crianças medicalizadas. Crianças estigmatizadas ao quadrado, ao cubo, sei lá.
Mas não quero discutir, agora, teoricamente esta questão. Quero discutir com o coração. Tenho assistido algumas reportagens sobre o tema e estou com vontade de propor uma pesquisa em Pelotas sobre o perfil das pessoas que querem adotar. Há muitas verdades ditas sobre o tempo de espera, as exigências dos pais, à devolução das crianças. Conhecer a fundo o problema é o melhor para conseguir boas soluções.
Vou voltar ao tema em breve.

segunda-feira, julho 19, 2010

tempos modernos...


Capitão de indústria (Paralamas)

Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei

Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Eu acordo pra trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu vivo prá trabalhar...


Acho que é o período crítico do ano. Meio do ano. Sem férias. E depois dizem que professor é beneficiado com tr~es meses de férias por ano... Eu ainda não achei as minhas.
Preciso de tempo pra rir, sonhar e não fazer nada...

sexta-feira, julho 09, 2010

Rica tarde


Hoje a tarde, depois de uma manhã atribulada e cheia de problemas que não deveriam ter importância mas que ainda me causam um razoável nível de estress, tive um encontro dos bons.
Nos reunimos, eu, Letícia, Alessandra e Paulo, para organizar a publicação das crônicas de um velho conhecido nosso: o querido Deogar Soares.
Duvido que exista alguém que tenha o conhecido que não tenha nada a falar do Deogar... ele era daquelas figuras que, com jeito todo seu, mudava o mundo, de verdade.
Essa mudança se dava de variadas formas. Com seu vôo livre diário, fazendo seus ouvintes pensarem e se recolocarem no mundo. Com sua inquietação diante do instituido. Com seu jeito rebelde de ser. Com sua voz que entrava e cativava a alma de qualquer um. Com seu olhar doce e feróz, manso e atroz.
Sinto muita saudade do Velho. O Deogar marcou uma fase muito importante da minha vida. A fase em que escolhi de que lado do mundo eu queria estar. Do lado de quem eu iria lutar. E de que jeito eu iria desenvolver esta luta.
Lembrar do Deogar é lembrar dos meus amigos, dos nossos sonhos, das nossas utopias e lutas, que não se perderam totalmente, mas que morreram um pouco junto com o Velho.
Hoje, pude reviver um pouquinho disso tudo. Primeiro na nossa "reunião". Bem diferente das reuniões de outrora, mas não menos eficiente e, talvez, mais prazerosa. Depois, com a Letícia (filha do Deogar e minha amiga de sempre), remexendo as fotografias feitas pelo Deogar e da época da campanha para vereador e do mandato.
Quanto prazer! Quanta saudade!
Viajamos no tempo e matamos um pouco essa falta que arde. Falta do que éramos e do que sonhávamos ser.
Rica tarde, essa!

sábado, junho 26, 2010

Tempo de balanço...


Mais uma vez os pensamento que não cabem na minha cabeça ficaram mofando... e esse blog mais parado que nem-sei-o-quê.
Estou bem. Cheia de afazeres. Correndo muito. Mas também, talvez pela primeira vez, não deixando a correria impedir meus pensamentos.
Estou aprendendo a aprender de novo... Me permitindo errar. Repetir. Rir de mim mesma... Me irritar comigo mesma e com o mundo. Muitas vezes.
Mas estou aqui. Mais viva do que nunca. Feliz com minha Mariana...meu raio de sol.
E vamos por aí...

segunda-feira, outubro 12, 2009

Dia das crianças

Uma das melhores coisa da maternidade, é o fato de poder ser criança e fazer coisas de criança com uma boa desculpa.
Amo brincar com a Mariana. Correr na praia. Cantar no carro. Dançar na sala. Brincar no supermercado.... Enfim... Ser criança com ela.
Hoje é dia das crianças. Quero registrar aqui o amor infinito que esta filha plantou em mim e que cresce todo dia.
Feliz dia das crianças, minha vida!!!
Te amo!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Marcha dos usuários pela reforma psiquiátrica antimanicomial


No próximo dia 30, uma série de grupos de usuários de saúde mental de todo o país, seguirá, em marcha para Brasília, para defender a efetiva reforma psiquiátrica no país.

São propostas da marcha:

  • Defender o Sistema Único de Saúde (SUS) ressaltando o papel fundamental que o Sistema tem na Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, que é oferecer estrutura adequada e melhores condições de atendimento para tratamento de portadores de sofrimento mental
  • Defender o cumprimento da Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/01)
  • Reivindicar a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental (9 anos após a III, realizada em 2001), que tem a importância de discutir passos fundamentais para o avanço da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, além de estabelecer novos marcos para profissionais da área e portadores de transtornos mentais, que estão cada dia mais atuantes socialmente.
  • Exigir a efetiva implantação do "Programa de Volta para Casa", criado pelo Ministério da Saúde em 2003 com o objetivo de reintegrar socialmente pessoas com transtornos mentais que passaram por longas internações. O programa dispõe também de um auxílio financeiro para o beneficiário ou seu representante legal.
Defendo a reforma psiquiátrica, luto pelo fim do preconceito e principalmente, pelo convívio com a diferença e respeito sempre.

Para saber mais, dá uma olhada no blog da Marcha.

"A liberdade é terapêutica" (Franco Basaglia)


domingo, agosto 30, 2009

Diversão é a solução!

Um antiga música do Titãs gritava "Diversão é a solução, sim. Diversão é a solução pra mim".
E, de fato, assim tem sido. Em tempos de neuras com a Gripe A, tarefas acumuladas, choros engavetados sem ter tempo pra chorar, tenho me esbaldado com a Mariana.
Praia, brincar de casinha, bolo de aniversário de areia, passeio de carro pra ver a Lagoa de Purpurina".
E assim vou (sobre) vivendo...

quinta-feira, julho 16, 2009

Frio é bom...

Anda fazendo muito frio em Satolep...
A lareira está acesa... a estufa está ligada e os pés, as mãos teimam em não se esquentar.
Eu gosto do inverno. Gosto do cheiro do inverno. Os dias ensolarados e frios são os mais lindos.
No final de semana saimos pra passear com a Mariana. Foi muito bom. Nos divertimos muito.
As fotinhos demonstram a alegria da minha florzinha...















terça-feira, setembro 12, 2006

A loucura está solta...

A rede de atenção à sáude mental de Pelotas está passando por uma crise. Trata-se de uma crise institucional e política. Ainda que os serviços existam (e não são poucos), que existam muitos profissionais, etc, a cidade está perdendo seu caráter antimanicomial... A "reforma psiquiátrica" tem-se mostrado mais reformista e menos transformadora. Às vezes, parece uma simples troca de lugar. Vários minimanicômios (capscômios). De maneira nenhuma critico o esforço dos trabalhadores, usuários e familiares em constituirem estes serviços como espaços alternativos ao hospital psiquiátrico. Mas penso que estamos longe - muito longe - de consolidarmos a reforma por aqui.
Há poucos dias, o CAPS Csstelo lançou um manifesto, visto que, devido às más condições do prédio foram deslocados para uma outra casa. O Manifesto foi uma forma de tentar garantir o retorno ao prédio após a reforma. Penso que devemos lutar sempre e de forma total. Não podemos fragmentar as lutas, as equipes, as categorias, etc. Nada mais institucionalizante e manicomial do que isto.
Espero que os mentaleiros acordem e voltem a lutar. A construção de uma outra relação com a loucura se dá diariamente, cotidianamente e nas pequenas relações.
baby