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sábado, março 08, 2014
Pedaços de mim
Quantos pedaços somos capazes de deixar pelo caminho? Quais deles deixam um buraco para sempre na nossa vida e quais são capazes de serem substituídos?
Trabalho diariamente com pessoas que perdem os pedaços cotidianamente. E que buscam, entre todas os obstáculos da burocracia, juntar o que ficou e seguir em frente. Pessoas que, por vezes, parecem esquecer o que é um dia realmente feliz. Será que tiveram algum?
Claro que sei o óbvio. A felicidade é diferente para cada pessoa nesse mundão. Mas, parece-me que, para algumas pessoas, as tristezas pesam mais.
Hoje faz 8 anos de uma maiores dores da minha vida. Acho que é a maior. A confirmação diante da impotência de conquistar algo muito desejado. Mesmo tendo pulado os obstáculos e, de certa forma, ganho o que tanto desejava, a dor permanece ali. Como a cicatriz da cesariana que teima em repuxar em dias nublados, embora, cientificamente, nada explique isso.
E tudo que veio depois, faz com a ferida doa mais forte.
Oh pedaço de mim,
Não leva tudo que há de ti... me deixa lembrar que a vida é pra ser vivida na amplitude.
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Presente de Natal
O Chico lançou um novo disco em 2011. Quatro anos depois de ter lançado Carioca. Intitulado "Chico". Em 2007, assisti meu primeiro show dele. Maravilhoso. Me dei de presente de conclusão de Doutorado. Chorei muito. Sofri e me emocionei muito.
Estva grávida e não sabia... quando, um mês depois, recebi meu maior presente, o "positivo" que me trouxe a Mariana, achei que todo aquele choro tinha sido aumentado pelos hormônios da gravidez.
Quando foi anunciada a nova turnê do novo disco, lógico, quis ir. Mas quando divulgaram os preços achei caro. Desisti.
A Alessandra nunca tinha ido a um show do cara. Abriram sessão extra. Compramos. Ufa!
Ontem 21 horas e alguns minutinhos, no Teatro do Sesi em Porto Alegre, vivenciamos toda aquela emoção de novo.
Muito complicado descrever o show. P E R F E I T O ! Luz perfeita. Acústica maravilhosa. Arranjos e harmonia entre os músicos neuroticamente perfeitas... Mas o Chico... ah, o Chico.
Doce, tímido, meigo...
Falou não mais que cinco frases, em todo o show. Morria de vergonha a cada grito enlouquecido e apaixonado dos seus fãs... Cantou lindamente muitas de suas mais lindas canções...
Saí extasiada. Com taquicardia... Pernas trêmulas, como quem encontra o verdadeiro amor na padaria, sabe? Por minutos, me senti meio ridícula... mas o amor é ridículo. Amo esse poeta e tudo o que as suas letras despertam em mim. Até a dor que muitas delas me causam.
Obrigada, Chico!
quarta-feira, julho 21, 2010
Chuva e chuva em Satolep
Muitos dias frios e chuvosos. Bom pra pensar. Mas nem sempre se está afim de pensar. Então, velhos amigos poetas ajudam a traduzir o que se pensa... Fala Chico!
Sol e chuva (Chico Buarque)
Se esta noite o tempo vai virar
Não me deixes sair sozinha
Pode amanhecer
Tudo fora de lugar
Posso não estar aqui
Nossa vida, o vento esfarrapar
Tua manta não ser a minha
Pode acontecer
Quando o tempo serenar
De eu não me lembrar de ti
Sim
Pode vir uma enxurrada
E carregar tudo o que eu tinha
Sim
Posso até gostar
Deixa eu sair sozinha
É sol e chuva, é penumbra e luz
Meu corpo está gelado e queima
Pode acontecer
Podes vir me procurar
Posso não estar aqui
Sol e chuva (Chico Buarque)
Se esta noite o tempo vai virar
Não me deixes sair sozinha
Pode amanhecer
Tudo fora de lugar
Posso não estar aqui
Nossa vida, o vento esfarrapar
Tua manta não ser a minha
Pode acontecer
Quando o tempo serenar
De eu não me lembrar de ti
Sim
Pode vir uma enxurrada
E carregar tudo o que eu tinha
Sim
Posso até gostar
Deixa eu sair sozinha
É sol e chuva, é penumbra e luz
Meu corpo está gelado e queima
Pode acontecer
Podes vir me procurar
Posso não estar aqui
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