segunda-feira, junho 27, 2011

e a roda viva trouxe o frio


27 de junho. Mais uma vez este blog ficou às traças... mas a vida real tem me tomado bastante tempo.
Já fiz aniversário.
Já chegou o inverno.
Já teve lua gigante.
E muitos ciclos da lua.
Já tomei bastante vinho. E muita, muita água.
Mas ainda não consigo engolir certas coisas...
São João já veio e já foi.
O semestre está acabando.
E assim a vida segue... correndo... se arrastando. E eu, às vezes lutando pra guiar mas, na maioria das vezes, sendo arrastado por ela.

sábado, maio 07, 2011

E a lua está sorrindo no céu do Laranjal...
E aí, o Tarot do dia me diz isso:


ROMPENDO COM A ESTAGNAÇÃO

É chegado o momento, Andréa, de romper com a estagnação. O Ás de Espadas transborda como arcano de conselho para você, hoje, sugerindo que você corte implacavelmente todas as coisas, pensamentos, hábitos e pessoas que não lhe servem mais e que procure sustentar seus pensamentos e opiniões, mesmo que isso signifique desencadear antipatia nos outros. Este é um momento de renovação em sua vida, de idéias novas que fervilham e você poderá tomar as iniciativas que tirarão sua existência da rotina e do tédio. Prepare-se para uma nova e deliciosa aventura e não se preocupe tanto em ter uma “personalidade simpática” nesta fase de sua vida. Há momentos em que a atitude mais sedutora é aquela que não prima pela docilidade, mas que se compromete com a verdade. É quando sabemos que não estamos sendo simpáticos, mas estamos sendo honestos. Ainda que não agrademos, não há como negar o notável poder sedutor da pessoa que age com integridade – mesmo quando age de uma forma superficialmente antipática.

Conselho: Ser fiel à verdade gera antipatias, mas muitas vezes é fundamental!

Inferno astral...

Faltam 21 dias pro meu aníver de 35 anos.
Confesso que estou um tanto assustada com essa idade... Lembro daquele filme com a Marieta Severo, no qual ela repensava, como teria sido sua vida se tivesse feito outras escolhas.
Posso dizer que sou uma pessoa realizada e privilegiada. De certa forma, construí quase todas as coisas com as quais sonhei. Ter tudo seria, de alguma forma, sem graça.
Penso que a tarefa no ciclo que estou quase iniciando seja desenvolver a serenidade e a paciência. Preciso aceitar, como dependente de meus vícios de querer ajeitar tudo e todos, que não sou capaz de fazer isso. E reaprender a viver com esse defeito.
Na real, preciso encarar isso não como um defeito. Mas como parte de mim.
E preciso, definitivamente, mudar coisas que estão me incomodando. Mal comparando. Tem sapatos me machucando. Roupas desconfortáveis. Sons altos demais. Preciso simplificar.
Por hoje é isso...

domingo, fevereiro 06, 2011

Pra ouvir bem alto e cantar junto

Algo extremamente terapêutico pra mim, é colocar uma música boa, com letra que faça sentido e cantar, cantar, chorar, cantar... coisa de louco, pode ser. Mas quem me conhece sabe que de certa é que eu não tenho nada.
Hoje estou meio Legião. Essa aí é daquelas.

Um dia perfeito

... Não vou me deixar embrutecer, eu acredito nos meus ideais.
Podem até maltratar o meu coração
Mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar...

Música boa em Satolep!

A partir de amanhã acontece em Pelotas o I Festival Internacional SESC de Música. Serão muitas atividades em diversos lugares e pra todos os gostos. Boa pedida pra quem gosta de encontrar gente legal, ouvindo música de qualidade. Espero aproveitar bastante! Quem quiser saber mais, clica aqui.

sábado, novembro 20, 2010

De que são feitas as meninas???

DE QUE SÃO FEITAS AS MENINAS?

Uma menina é feita lentamente
De sóis e de luas
De cascatas e morangos
Olha pra gente com olhos de estrelas
E enterra o mundo inteiro
Nas irresistíveis covinhas pequeninas
E ela sorri sempre porque é esperta e já sabe que a alegria é geradora de companhia.

Uma menina tem cabelos de seda
Mesmo que estejam lambuzados de sorvete
E tem mãozinhas gorduchas
Que sabem fazer carinho
Que trocam bonecas e empinam pipas.

Uma menina nos olha, importante,
Do alto dos saltos da mamãe
E se cobre de balangandãs
E carrega bolsas enormes
No seu teatro favorito de ser gente grande.

CECÌLIA MEIRELES


Homenagem à minha menina linda... que completou 3 anos segunda-feira.

domingo, outubro 31, 2010

Amo ser mãe 2

Algumas pérolas da Mariana essa semana.

1. Depois de falar e perguntar muitas coisas eu digo a ela: "-Puxa filha, como tu perguntas... Por que?" e ela, "Porque eu tenho boca, ué".

2. Depois de fazer contorcionismo com a Barbie, dizendo que ela estava fazendo ginástica, eu digo: "- Bah! E agora?" e eis que surge a resposta: "-Agora ela é o saci-pererê".

3. Escolhendo uma música pro vídeo do aníver dela, começo a cantarolar "Menininha do meu coração... Menininha não cresça mais não, fique pequinininha na minha canção..." e ouço/ "Eu quero crescer!" .

é possível não ser feliz???

segunda-feira, outubro 25, 2010

Amo ser Mãe

A Mariana está cada dia melhor. Agora passa cantando, inventando músicas, fazendo paródias, contando histórias. Uma figura!
Ontem ganhei uma canção.

"Mami, é só minha
Não é de ninguém
é minha"

Repetindo várias vezes e me deixando com cara de boba. Mais do que o natural.

:)

terça-feira, outubro 12, 2010

Antes da Mariana

Antes de você (Titãs - clipe oficial)




Essa foi uma das canções novas que o Titãs apresentou ontem em Satolep.
Muito legal.
Me fez pensar na minha vida antes da Mariana. Claro que eu lembro como eu era. Claro que sinto falta de dormir uma noite inteira. Ou pelo menos até às 9:00 da manhã. Talvez, sinta falta de outras coisas também, mas sinceramente, não lembro agora.
Há quase três anos minha vida foi pintada de cores tão vivas, tão vibrantes, tão amorosas que nenhuma palavra, ou nem mesmo todas as palavras seriam capazes de explicar.
Nenhum outro sentimento se compara a este que temos uma pela outra. Ouvir "eu te adoro, mamãe" cura todas as feridas e dores que o mundo insiste em me marcar. Olhar aquela loirinha dormindo, é uma dádiva.
Não tenho dúvida de que Deus existe. Não tenho dúvida que ela é o maior presente que eu poderia receber nesta vida.
Gracias a la vida!
Ei filha, te amo!

Titãs! Titãs!

Ontem fomos ao show do Titãs, em Satolep.
Não consegui lembrar se já havia ido a um show dos caras. Mas vou a todos que puder, daqui pra frente.
O show foi no Theatro Guarany, local em que assistimos os espetáculos, literalmente. Impossível só assistir o show dos Titãs. Na segunda música, todo o teatro levantou e, raríssimas vezes, voltou a sentar.
Muito bom!
Cabeça dinossauro, Bichos escrotos, Marvim, Epitáfio, Sonífera ilha, 32 dentes, diversão e por aí... lembrança de um tempo bom.
Queria que o Lauro e a Bibi estivessem lá comigo, para dançarmos chutando o ar como antigamente.
Mas dancei, gritei, pulei e me diverti. Até cerveja eu tomei. Há tempos, me rendi ao fato de que não gosto de cerveja. Mas não tinha como não tomar cerveja ontem.
O Nauro publicou alguns vídeos e fotos do show no Retratos da Vida. Vale conferir.
Os caras cantaram algumas canções novas, entre elas "Antes de você", que vou comentar no próximo post.
O show me fez lembrar, mais uma vez, que "só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder".

terça-feira, setembro 28, 2010

...

Difícil me encarar ultimamente.
Quanto mais escrever algo por aqui.
Coisas importantes para serem pensadas, ditas e decididas.

Adiós, Goodbye (Vitor Ramil)


Coisas que ficaram por dizer
Coisas que não tive tempo de ouvir
Goodbye, adiós
Deixo o sol dormindo no porão
Bato a porta sem ferir o dia
Adiós, goodbye
Coisas que não canso de esquecer
Coisas que se escondem na lembrança
Goodbye, adiós
Deixo ao vento que quiser levar
Minhas folhas secas de utopia
Adiós, goodbye
Coisas que procuram seu lugar
Coisas que me ocupam cada instante
Goodbye, adiós
Deixo em gelo fino meus sinais
Que ninguém me eleja como guia
Adiós, goodbye
Coisas que acertaram no que sou
Coisas que falharam no que não fui
Goodbye, adiós
Deixo o sol dormindo no porão
Bato a porta sem ferir o dia
Adiós, goodbye

terça-feira, setembro 21, 2010

Mercedes Sosa - Como la Cigarra

Chegando a Primavera


Estamos chegando na minha estação preferida. Mas estou hibernando... por dentro.
Tomara que floresça logo... Precisando de cor!

quarta-feira, setembro 08, 2010

Oração ao Tempo - Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo..

quinta-feira, agosto 26, 2010

Por aí...

Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto...

Eu não vou falar
Nada por falar
Então eu escuto...

(Secos e Molhados)

sábado, agosto 21, 2010

Sobre o que se olha e sobre o que se vê (III)

Já cantou La Negra, que "El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos / Yo el amor no lo reflejo como ayer / En cada conversación cada beso cada abrazo / Se impone siempre un pedazo de razón".
A razão também domina o que se olha e o que se vê.
A razão é que não deixa o amor ter o mesmo reflexo de antes.
A razão não deixa a criança de cada um brilhar e se expor.
A razão não permite que as diferenças convivam de forma a se complementar e assim, ser mais.
A propriedade da razão liquida conversas que poderiam não ter fim... Alguém "tem" e o outro alguém não. Rompe a troca. Rompe o diálogo. Desqualifica o outro.
Mas o tema aqui é o que se vê, como se vê, como se olha.
Considerando o tempo já vivido e as coisas que fui aprendendo nesse tempo, tenho a ideia de que a razão limita o olhar. Porque o direciona para o que possa ser importante. São. Coerente.
Quero olhar com olhos de criança. Descobrir o inusitado. O detalhe. O reflexo. Assim vou poder desvelar o encoberto. Ver o outro lado.
Quero olhar o lado de dentro. Ir além da aparência, na essência.
Não creio que é a razão que me leva a esse ponto de vista.

domingo, agosto 15, 2010

Sobre o que se olha e sobre o que se vê (II)


Adoro Rubem Alves. Ler Rubem Alves me ajuda a ser uma pessoa melhor, uma professora melhor, uma assistente social melhor. Esta crônica, fala do olhar e do ver. Segue a "pauta" que está na minha cabeça...



A arte de ver (Rubem Alves)



Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Aconteceu, entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Entretanto, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente a cebola, de objeto a ser comid,o se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora tudo o que vejo me causa espanto...” Ela se calou esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui até a estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: “...rosa de água com escamas de cristal...” Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver.”

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física ótica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física. William Blake sabia disso é afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei isso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos sinto-me como Moisés, diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de usa casa, porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

A Adélia Prado diz: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. O Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso é afirmou que a primeira tarefa da educação era ensinar a ver. O Zen Budismo concorda e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no Zen Budismo mas o fato é que escreveu “ Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram...”

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus Ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão “os seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote no “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia, eles um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na Caixa de Ferramentas eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas quando os olhos estão na Caixa dos Brinquedos eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na Caixa de Ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na Caixa dos Brinquedos são os olhos das crianças. Para ter olhos brincalhões é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas...”

Por isso, porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver, eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar para os assombros que crescem nos desvão da banalidade cotidiana. Como o Jesus Menino do poema do Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos...”

Este e outros maravilhosos textos podem ser encontrados na "Casa de Rubem Alves"

O Seu Olhar



Conheci esta música, na versão do Arnaldo Antunes, trilha do filme "Bicho de Sete Cabeças". Depois, mais tarde, a Alê me apresentou a versão da Ceumar. Mais doce. Mais leve.

Tenho um vídeo com olhares da Mariana e essa música. Outro dia posto aqui.
baby