segunda-feira, fevereiro 19, 2018
Roda viva
Em dezembro de 2017, encerrei minha vida como docente da UCPEL. Desde meu ingresso na Graduação, em 1995, com pequeno afastamento no período do Mestrado, a UCPEL, os alunos, funcionários e colegas, seus corredores, seus sons e silêncios, fizeram parte cotidiana da minha vida.
Vivi na UCPEL minhas maiores alegrias e as minhas piores tristezas.
Vivi meus amores e desamores. Me tornei a mulher que sou hoje. Militei pelas causas que acredito. Defendi a formação profissional presencial e de qualidade, com objetivo de transformação social em cada um dos dias destes 22 anos.
Mais da metade da minha vida, vivi na UCPEL.
Passados 2 meses da minha demissão, consigo, agora, pensar melhor em tudo isso. Consigo verbalizar que não sou mais professora da UCPEL. Difícil… “Descolar” este selo na minha apresentação de quem sou não é nada fácil. Mas, como acredito que tudo na vida tem um motivo, estou aproveitando este período para reorganizar minhas prioridades.
No final de semana, participei, como Professora Homenageada, da solenidade de formatura dos alunos da turma 2017/2. Ali, mais uma vez, relembrei cada trajetória, cada história, cada batalha daqueles alunos/colegas e lembrei, de novo, do slogan de outrora “quanta vida passa por aqui”.
Trabalhei duro para que isso nunca fosse esquecido. É com vidas que lidamos na formação. As “vidas” que passam pela UCPEL precisam ser cuidadas, regadas, protegidas… num processo maluco da roda-viva que impõe prazos, cobranças, números.
Agora estou aqui, me redescobrindo temporariamente fora da docência. Fazendo um balanço das escolhas feitas, das alianças construídas.
Aprendi muito na docência. Muito mais do que ensinei. Aprendi que não precisava ser perfeita. Que, aos pares, as dores são superadas. Que é possível e necessário remar contra a corrente, se a corrente estiver te levando para um lugar que não acreditas. E, principalmente, aprendi que a vida segue… mas que as coisas que plantamos ficam. Acredito que fiz a diferença dentro dos meus limites. E levo comigo a gratidão eterna por todos e todas que partilharam suas conquistas comigo.
No mais, desejo vida longa à UCPEL e, especialmente ao Curso de Serviço Social. Que não perca a essência: formar profissionais comprometidos com a transformação social, com as pessoas, com as vidas, respeitando os trabalhadores e trabalhadoras que fazem com que isso seja possível.
“A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá” (Chico)
quinta-feira, maio 11, 2017
Sobre ser mãe
Esta é a semana do dia das mães.
Eu sempre quis ser mãe. Desde os 18-19 anos sentia isso muito presente em mim. Sempre fui um pouco mãe dos meus amigos, dos meus pais, dos meus irmãos, dos meus namorados e do meu ex-marido. Me sentia responsável por eles, por sua proteção, alegrias e tristezas.
Cuidar dos outros e de tudo faz parte de mim. Ou pelo menos, fez. Ultimamente está mais difícil.
Mas a relação mãe e filha/o idealizada por mim aos 18-19 era aquela "perfeita". Acordar sorrindo, ir ao supermercado, passear na Fenadoce de carrinho, conversar no final do dia, acompanhar na escola, naquela distorção que a fantasia faz com a realidade, pensando que tudo vai ser uma linha linear e repleta de borboletas pelo caminho.
Não é novidade que há uma construção social do papel da mãe/mulher na sociedade, que é a que tudo pode, que tudo ama, que tudo compreende, sorrindo, chorando e se emocionando com o dia-a-dia da maternidade. Muito disso é verdade,mas é muito mais. Muito mais.
Quando eu tinha 31 anos, a Mariana chegou. Uma menina linda, amada, inteligente, desafiadora, criativa, questionadora, inquieta, carinhosa. Precisei aprender a conciliar todos os meus ideais de "mãe, "filha e "mãe e filha" com a realidade da construção destes significados. Tudo isso junto com dois trabalhos, um divórcio e alguns adoecimentos. Não é fácil.
Ser mãe é tentar preencher todos os espaços que há em nós no outro. Um desespero constante em tentar evitar que se machuque, que se magoe, que erre. Tudo isso sem ter a menor ideia de como fazer. Alimentar, trocar fraldas e dar banho, vestir e passear nos primeiros meses é extremamente desafiador e exaustivo (além de maravilhoso, óbvio), mas não é o mais difícil.
O mais difícil é lidar com o julgamento cotidiano dos outros sobre o exercício da maternidade. O mais difícil é lidar com a "formatação" que a escola, a família impõem à criança, à mãe, à família. É ter que explicar as maldades do mundo para a filha. É ter que intervir para outros colegas a respeitem por seu modo de ser. Extremamente difícil é perceber as críticas dos outros àquela que é a pessoa mais importante do mundo pra nós.
Ser mãe, na minha compreensão (e isso aplica-se único e exclusivamente a mim e ao que me cobro) é estar presente por dentro e por fora. É uma mega responsabilidade. Minha preocupação é que a Mariana seja 'do bem' e,se possível 'de boas'. Que consiga aceitar seus erros e buscar aprender com eles. Que seja forte para enfrentar as maldades do mundo. Que confie em mim e no meu amor para que eu possa acompanha-la nos melhores e nos piores momentos.
Mas o dia-a-dia tem mostrado que eu posso desejar e ajudar a minha filha nesta construção. Mas não posso garantir nada.
O que posso garantir é que, se depender de mim, estarei com ela, respeitarei suas escolhas, e a protegerei muito. E que, sempre que a necessidade de proteção for maior do que a minha capacidade, estarei aqui para rever com ela o caminho para não errar de novo.
Contudo, ser mãe é o melhor de mim. Com todos os meus medos e erros. Com todas as minhas cobranças para ser melhor (eu e ela). Com todas as nossas alegrias e sorrisos.
domingo, fevereiro 12, 2017
Novo recomeço do recomeço
Amanhã tudo volta à rotina doida da roda viva da vida.
Voltam as atividades acadêmicas da Mari e da UCPEL. Retomo as atividades no INSS. Retoma-se o corre-corre diário.
Clichês à parte, o tempo tem voado rápido por aqui.
Mariana com nove anos e humor de pré-adolescente. Contas e mais contas para pagar. Compromissos diários variados e o sentimento de que não sou dona de mim, nem ninguém o é.
Ando deveras cansada. Cansada de estar cansada.
Nem para as minhas listas que nunca cumpro ando com paciência.
Mas não sou propriamente infeliz. Só um pouco frustrada com a vida adulta.
E um tanto carente. Um colinho vó me seria bem bom. E um abraço de urso.
Voltam as atividades acadêmicas da Mari e da UCPEL. Retomo as atividades no INSS. Retoma-se o corre-corre diário.
Clichês à parte, o tempo tem voado rápido por aqui.
Mariana com nove anos e humor de pré-adolescente. Contas e mais contas para pagar. Compromissos diários variados e o sentimento de que não sou dona de mim, nem ninguém o é.
Ando deveras cansada. Cansada de estar cansada.
Nem para as minhas listas que nunca cumpro ando com paciência.
Mas não sou propriamente infeliz. Só um pouco frustrada com a vida adulta.
E um tanto carente. Um colinho vó me seria bem bom. E um abraço de urso.
quarta-feira, janeiro 13, 2016
Rumo aos quarenta
Faltam 136 dias para completar 40 anos de vida.
Incrível como estou contente com essa data. Acho que vivo de forma plena todos os dias e não me preocupo, em geral, com o contar dos anos.
Mas Q U A R E N T A é número emblemático para uma pessoa, para uma mulher, em especial.
Definitivamente, 2016 é um ano em que quero colher todas as minhas escolhas. Estou aproveitando estes meses pré-40 para traçar objetivos individuais que, acredito, podem fazer com que me sinta ainda melhor nos 40, 50, 60...
Feliz com os amores que tenho perto. Feliz com meu trabalho. Querendo um novo amor. Mas pra me transbordar, não para me completar.
Enfim, venha 40 anos! A brincadeira está só começando!
Incrível como estou contente com essa data. Acho que vivo de forma plena todos os dias e não me preocupo, em geral, com o contar dos anos.
Mas Q U A R E N T A é número emblemático para uma pessoa, para uma mulher, em especial.
Definitivamente, 2016 é um ano em que quero colher todas as minhas escolhas. Estou aproveitando estes meses pré-40 para traçar objetivos individuais que, acredito, podem fazer com que me sinta ainda melhor nos 40, 50, 60...
Feliz com os amores que tenho perto. Feliz com meu trabalho. Querendo um novo amor. Mas pra me transbordar, não para me completar.
Enfim, venha 40 anos! A brincadeira está só começando!
domingo, dezembro 20, 2015
Postagem anual
O ano está acabando. Ano que passou voando. No limite, foi um ano bom.
Não deu tempo pra fazer muitas coisas que tinha planejado, mas foi possível deixar a tristeza pra trás e enfrentar a realidade de outro modo. Consegui escolher ter um pouco mais de tempo, saindo da docência na pós-graduação e me dedicando mais ao Curso de Serviço Social.
Precisei trocar a minha parceira cotidiana, pois a Nini seguiu outro rumo profissional. Mas a chegada da Simone trouxe alento. O pai da Mari veio morar em Pelotas e isso foi muito bom pra ela.
Consegui me envolver um pouquinho mais com os idosos do Fabiano, mas não pude seguir meu estudo. Estive mais perto dos meus amigos, me diverti, me encontrei com eles. Saí de casa muito menos do que devia. Dormi menos do que queria também. Talvez tenha dormido mais do que devia...
O Felipe nasceu e deu mais sentido à nossa vida. Cada sorriso dele é uma dádiva e a certeza de que a vida vale à pena.
A Mariana cresceu um tantão, está linda e cada vez mais querida e sabida.
Tivemos uma greve histórica no INSS e pude conhecer e me achegar mais aos colegas/companheiros cotidianos de labuta.
Resolvi uma questão complexa que se estendia há quatro anos. Comprei minha casa e me endividei por 20 anos.
Tive muitos encontros produtivos e felizes com meus alunos: oficinas, seminários, conversas de bar.
Vi a lua nascer poucas vezes, mas sempre foi demais...
Fui num show do Paralamas que foi massa! Não fui no show do Caetano e Gil porque estava carérrimo e só pago show carérrimo se for do Chico.
Tive várias festinhas aqui em casa, aniversário, churrasco, café da tarde...
Comprei um megafone novo, porque o meu estragou. Minhas hortênsias estão florindo no pátio. Enfrentei monstros terríveis aqui em casa e eles não querem saber de ir embora.
Vi estudantes ocupando escolas e mulheres lutando na rua por seus direitos básicos. Estou vendo a inacreditável indicação de um carcereiro do manicômio para coordenação de saúde mental, mas também a resistência do movimento antimanicomial e ainda vi 45 sem-terra se formando na universidade pública.
Ano repleto de contradições, como é a vida. Mas, valeu a pena. Agradeço a Deus por tudo de bom e também pelos desafios que me fazem crescer.
Venha 2016! Quero lhe usar!
Não deu tempo pra fazer muitas coisas que tinha planejado, mas foi possível deixar a tristeza pra trás e enfrentar a realidade de outro modo. Consegui escolher ter um pouco mais de tempo, saindo da docência na pós-graduação e me dedicando mais ao Curso de Serviço Social.
Precisei trocar a minha parceira cotidiana, pois a Nini seguiu outro rumo profissional. Mas a chegada da Simone trouxe alento. O pai da Mari veio morar em Pelotas e isso foi muito bom pra ela.
Consegui me envolver um pouquinho mais com os idosos do Fabiano, mas não pude seguir meu estudo. Estive mais perto dos meus amigos, me diverti, me encontrei com eles. Saí de casa muito menos do que devia. Dormi menos do que queria também. Talvez tenha dormido mais do que devia...
O Felipe nasceu e deu mais sentido à nossa vida. Cada sorriso dele é uma dádiva e a certeza de que a vida vale à pena.
A Mariana cresceu um tantão, está linda e cada vez mais querida e sabida.
Tivemos uma greve histórica no INSS e pude conhecer e me achegar mais aos colegas/companheiros cotidianos de labuta.
Resolvi uma questão complexa que se estendia há quatro anos. Comprei minha casa e me endividei por 20 anos.
Tive muitos encontros produtivos e felizes com meus alunos: oficinas, seminários, conversas de bar.
Vi a lua nascer poucas vezes, mas sempre foi demais...
Fui num show do Paralamas que foi massa! Não fui no show do Caetano e Gil porque estava carérrimo e só pago show carérrimo se for do Chico.
Tive várias festinhas aqui em casa, aniversário, churrasco, café da tarde...
Comprei um megafone novo, porque o meu estragou. Minhas hortênsias estão florindo no pátio. Enfrentei monstros terríveis aqui em casa e eles não querem saber de ir embora.
Vi estudantes ocupando escolas e mulheres lutando na rua por seus direitos básicos. Estou vendo a inacreditável indicação de um carcereiro do manicômio para coordenação de saúde mental, mas também a resistência do movimento antimanicomial e ainda vi 45 sem-terra se formando na universidade pública.
Ano repleto de contradições, como é a vida. Mas, valeu a pena. Agradeço a Deus por tudo de bom e também pelos desafios que me fazem crescer.
Venha 2016! Quero lhe usar!
sábado, dezembro 20, 2014
Cansaço e escolhas
Mais um ano se indo.
Mais um monte de coisas que queria fazer a não fiz.
Mas, no contraponto, um monte de coisas feitas entre projetos pessoais, profissionais e familiares.
O cansaço está enraizado, parece.
Os dias voam. As tarefas se acumulam e a certeza de que é preciso aprender a domar o tempo é fato consumado.
Escolher. Selecionar. Partir. Ganhar aqui. Perder ali.
Quem disse que viemos à vida a passeio?
Mais um monte de coisas que queria fazer a não fiz.
Mas, no contraponto, um monte de coisas feitas entre projetos pessoais, profissionais e familiares.
O cansaço está enraizado, parece.
Os dias voam. As tarefas se acumulam e a certeza de que é preciso aprender a domar o tempo é fato consumado.
Escolher. Selecionar. Partir. Ganhar aqui. Perder ali.
Quem disse que viemos à vida a passeio?
segunda-feira, abril 21, 2014
Recomeçar, na marra.
Pois é...
Amanhã é dia de retomar a vida. Estou assustada, mas amparada, tenho certeza.
Preciso fazer uma coisa de cada vez. Respirar. Proteger-me.
A vontade de ficar aqui, encolhida, ainda permanece.
Mas não sou assim. Então, em frente.
Aí, a Dani, mãe do coleguinha da Mari postou uma linda canção que não consegui mais parar de ouvir.
Que ela embale meus dias. E que meus amigos e amores me estendam a mão.
A canção é esta aqui.
Amanhã é dia de retomar a vida. Estou assustada, mas amparada, tenho certeza.
Preciso fazer uma coisa de cada vez. Respirar. Proteger-me.
A vontade de ficar aqui, encolhida, ainda permanece.
Mas não sou assim. Então, em frente.
Aí, a Dani, mãe do coleguinha da Mari postou uma linda canção que não consegui mais parar de ouvir.
Que ela embale meus dias. E que meus amigos e amores me estendam a mão.
A canção é esta aqui.
domingo, abril 20, 2014
PASCOAR
Hoje é Sábado de aleluia.
Passei o dia com meus pais e irmãs. Sem a Mari.
A Mari está passando o feriadão com o pai.
Não foi assim que sonhei a véspera da Páscoa.
Imaginei que a faríamos dormir e, então, iríamos arrumar o ninho da Páscoa, esconder, fazer pegadas.
Há um tempo, mesmo casada, tenho feito isso sozinha.
É um rearranjo da história. Uma alteração no roteiro original.
Isso ainda doi. Não pelo casamento, em si, que já estava acabado fazia tempo.
Mas pelo enredo.
Sou tri família. Gostos de partilhar. Gosto de café da manhã, conversa e leitura de jornal.
Gosto de matear com os gatos e cachorros na volta.
Hoje, em um filme, alguém disse que não se tratava da dor da morte. Mas da dor da cura.
Acho que é isso.
Assim, aproveitando a energia da renovação da Páscoa, estou trocando a casca.
A Páscoa da Mari está pronta. Amanhã ela vai estar aqui. E vamos ter a vida toda pela frente para partilhar e compartilhar.
Feliz Páscoa.
Passei o dia com meus pais e irmãs. Sem a Mari.
A Mari está passando o feriadão com o pai.
Não foi assim que sonhei a véspera da Páscoa.
Imaginei que a faríamos dormir e, então, iríamos arrumar o ninho da Páscoa, esconder, fazer pegadas.
Há um tempo, mesmo casada, tenho feito isso sozinha.
É um rearranjo da história. Uma alteração no roteiro original.
Isso ainda doi. Não pelo casamento, em si, que já estava acabado fazia tempo.
Mas pelo enredo.
Sou tri família. Gostos de partilhar. Gosto de café da manhã, conversa e leitura de jornal.
Gosto de matear com os gatos e cachorros na volta.
Hoje, em um filme, alguém disse que não se tratava da dor da morte. Mas da dor da cura.
Acho que é isso.
Assim, aproveitando a energia da renovação da Páscoa, estou trocando a casca.
A Páscoa da Mari está pronta. Amanhã ela vai estar aqui. E vamos ter a vida toda pela frente para partilhar e compartilhar.
Feliz Páscoa.
domingo, abril 06, 2014
Eu nem sei porque me sinto assim...
Cansada de fingir estar bem.
Cansada de ser forte.
Cansada de levantar.
Mas sei que passa.
Só me deixe aqui quieto, isso passa.
quinta-feira, abril 03, 2014
Como será que me mostrei por todo esse tempo que meus maiores amores não conseguem me ver fragilizada, faltando uma parte, desengonçada?
Sinto-me como o elefante do desenho animado com medo do ratinho. Ou o leão que chora porque tem um espinho na pata.
E tudo que tenho em volta, são amores perdidos, sem saber o que fazer para me acalmar. Para passar meu medo. Para passar minha dor.
Se nem eu sei de onde ela vem, como poderia outro saber...
Preciso que esse tempo passe. Preciso ser capaz de passar por esse tempo.
Sinto-me como o elefante do desenho animado com medo do ratinho. Ou o leão que chora porque tem um espinho na pata.
E tudo que tenho em volta, são amores perdidos, sem saber o que fazer para me acalmar. Para passar meu medo. Para passar minha dor.
Se nem eu sei de onde ela vem, como poderia outro saber...
Preciso que esse tempo passe. Preciso ser capaz de passar por esse tempo.
sábado, março 08, 2014
Pedaços de mim
Quantos pedaços somos capazes de deixar pelo caminho? Quais deles deixam um buraco para sempre na nossa vida e quais são capazes de serem substituídos?
Trabalho diariamente com pessoas que perdem os pedaços cotidianamente. E que buscam, entre todas os obstáculos da burocracia, juntar o que ficou e seguir em frente. Pessoas que, por vezes, parecem esquecer o que é um dia realmente feliz. Será que tiveram algum?
Claro que sei o óbvio. A felicidade é diferente para cada pessoa nesse mundão. Mas, parece-me que, para algumas pessoas, as tristezas pesam mais.
Hoje faz 8 anos de uma maiores dores da minha vida. Acho que é a maior. A confirmação diante da impotência de conquistar algo muito desejado. Mesmo tendo pulado os obstáculos e, de certa forma, ganho o que tanto desejava, a dor permanece ali. Como a cicatriz da cesariana que teima em repuxar em dias nublados, embora, cientificamente, nada explique isso.
E tudo que veio depois, faz com a ferida doa mais forte.
Oh pedaço de mim,
Não leva tudo que há de ti... me deixa lembrar que a vida é pra ser vivida na amplitude.
terça-feira, dezembro 24, 2013
Desejos
Adoro listas. Listar desejos parece que organiza as forças do universo para que eles se realizem... eheheh
Vamos lá.
Desejos para 2014
1) Tempo. Tempo para rir. Tempo para chorar. Tempo para dormir. Tempo para simplesmente planejar o que fazer com o tempo.
2) Amor. Amor verdadeiro. Daqueles que tira o fôlego. Que dá borboletas no estômago. Que preenche o tempo. Aquele do item anterior.
3) Encontro. Encontrar gente querida. Encontrar gente que me faz sentir saudade. Encontrar o que me faz feliz de novo. Ao menos, 20 minutos por dia de encontro comigo mesma.
4) Riso. Rir e sorrir todos os dias. Rir até a barriga doer. Até se sentir boba. E depois rir disso outra vez.
5) Gentileza. Dispensa comentar.
6) Telefonemas bons.
7) Surpresas. Só as boas. Uma por semana, já fico satisfeita.
8) Flores. Por todos os lugares. Nos jardins, nos vasos, na minha sala de casa e do trabalho.
9) Saúde. Pra dar e vender.
10) Prazer. Vinho, cheiro de jasmim, calor no inverno, fresquinho no verão. Abraço apertado.
11) Abraços. Daqueles que tiram qualquer dor que possa estar escondidinha atrás do sorriso.
12) Aprendizado. Aprender a tocar violão. Dançar tango. Cozinhar.
13) Música. Ouvir música boa todos os dias. Isso inclui o silêncio.
14) Paz.
Tudo isso com minha alemoinha colada em mim. Só isso.
Pode ser?
domingo, novembro 10, 2013
Seis anos de amor
Dia 15, a Mariana vai fazer seis anos.
É uma linda menina. Esperta, curiosa, sensível.
Gosta de mar. Gosta de animais e de subir em árvores.
Trata bens as pessoas. Respeita os amigos. Compõe músicas lindas. E tem o olhar mais lindo do mundo!
Teima um bocado.
Quanto tento pensar quem eu era antes, fica difícil responder.
Tudo que faço, tenho-a como referência.
Preciso ser melhor, por ela. Preciso que o mundo melhore, por ela e por outras Marianas, filhas/os de outras Andréas.
A vontade de melhorar tudo é tanta, que quase adoeço.
O milagre de gerar ou receber uma criança é algo divino. Não tem explicação. Por mais brega que tal afirmação possa parecer.
Amo. Simplesmente.
Obrigada, meu Deus por essa criança. Que eu seja capaz de ser a melhor mãe possível pra ela. Porque ela é demais.
É uma linda menina. Esperta, curiosa, sensível.
Gosta de mar. Gosta de animais e de subir em árvores.
Trata bens as pessoas. Respeita os amigos. Compõe músicas lindas. E tem o olhar mais lindo do mundo!
Teima um bocado.
Quanto tento pensar quem eu era antes, fica difícil responder.
Tudo que faço, tenho-a como referência.
Preciso ser melhor, por ela. Preciso que o mundo melhore, por ela e por outras Marianas, filhas/os de outras Andréas.
A vontade de melhorar tudo é tanta, que quase adoeço.
O milagre de gerar ou receber uma criança é algo divino. Não tem explicação. Por mais brega que tal afirmação possa parecer.
Amo. Simplesmente.
Obrigada, meu Deus por essa criança. Que eu seja capaz de ser a melhor mãe possível pra ela. Porque ela é demais.
sábado, setembro 14, 2013
domingo, agosto 25, 2013
sexta-feira, agosto 23, 2013
Descasar
Aí, chega um dia - ou uma noite - em que dá vontade de escrever sobre os processos que temos atravessado.
É como quebrar uma maldição. Ou quebrar o feitiço. Se não verbalizarmos, escrevermos, ou registrarmos de algum modo, o feitiço não passa. O monstro não some. A dor não cessa.
Encontrar alguém. Dividir a vida. Doar parte da nossa própria vida. Compartilhar a melhor coisa da vida. Enfrentar as coisas mais tristes da vida. E desencontrar esse alguém.
Como tudo, não há receita ou caminhos preditos para trilhar estas etapas. São muitas as questões a serem digeridas, compreendidas, aceitas, cicatrizadas.
Eu sempre pensei que um relacionamento, seja do tipo que for (amizade, compromisso profissional, amor) precisa ser livre. O contrato tem de ser por livre escolha de ambas as partes envolvidas. Precisa ser, predominantemente bom.
Num relacionamento afetivo, há que se emparceirar. Não trata-se de completar. Às vezes, o desencaixe é o dispositivo para que a coisa ande e torne-se desafiadora.
Também pensei que o fim de uma relação, precisa ser respeitoso. Claro que sempre pensei que doeria, seria difícil. Mas, assim, como crio imagens fantasiosas de uma relação "perfeita na sua imperfeição", pensei que acabar poderia ser mais fácil. Definitivamente, não foi. Não é.
Mas pra onde vai tudo quando acaba?
Onde guardar os espantos que o processo de separar-se do outro vai proporcionando? como é possível separar?
Fico pensando que a palavra mais apropriada aqui seria ... não sei. Redescobrir? cobrir? Será que é possível separarmos dos que nos tornarmos?
o fato é que é preciso lidar com essa nova etapa. É preciso olhar pra frente, carregando o que éramos e o que nos tornamos. E, em determinado aspectos, é detestável, mas não intransponível.
É como quebrar uma maldição. Ou quebrar o feitiço. Se não verbalizarmos, escrevermos, ou registrarmos de algum modo, o feitiço não passa. O monstro não some. A dor não cessa.
Encontrar alguém. Dividir a vida. Doar parte da nossa própria vida. Compartilhar a melhor coisa da vida. Enfrentar as coisas mais tristes da vida. E desencontrar esse alguém.
Como tudo, não há receita ou caminhos preditos para trilhar estas etapas. São muitas as questões a serem digeridas, compreendidas, aceitas, cicatrizadas.
Eu sempre pensei que um relacionamento, seja do tipo que for (amizade, compromisso profissional, amor) precisa ser livre. O contrato tem de ser por livre escolha de ambas as partes envolvidas. Precisa ser, predominantemente bom.
Num relacionamento afetivo, há que se emparceirar. Não trata-se de completar. Às vezes, o desencaixe é o dispositivo para que a coisa ande e torne-se desafiadora.
Também pensei que o fim de uma relação, precisa ser respeitoso. Claro que sempre pensei que doeria, seria difícil. Mas, assim, como crio imagens fantasiosas de uma relação "perfeita na sua imperfeição", pensei que acabar poderia ser mais fácil. Definitivamente, não foi. Não é.
Mas pra onde vai tudo quando acaba?
Onde guardar os espantos que o processo de separar-se do outro vai proporcionando? como é possível separar?
Fico pensando que a palavra mais apropriada aqui seria ... não sei. Redescobrir? cobrir? Será que é possível separarmos dos que nos tornarmos?
o fato é que é preciso lidar com essa nova etapa. É preciso olhar pra frente, carregando o que éramos e o que nos tornamos. E, em determinado aspectos, é detestável, mas não intransponível.
Casamento... modo de usar (ou não)
Casamento, Modo de Usar
“Case-se com alguém que adore te escutar contando algo banal como o preço abusivo dos tomates, ou que entenda quando você precisar filosofar sobre os desamores de Nietzsche.
Case-se com alguém que você também adore ouvir. É fácil reconhecer uma voz com quem se deve casar; ela te tranqüiliza e ao mesmo tempo te deixa eufórico como em sua infância, quando se ouvia o som do portão abrindo, dos pais finalmente chegando. Observe se não há desespero ou insegurança no silêncio mútuo, assim sendo, case-se.
Se aquela pessoa não te faz rir, também não serve para casar. Vai chegar a hora em que tudo o que vocês poderão fazer, é rir de si mesmos. E não há nada mais cruel do que estar em apuros com alguém sem espontaneidade, sem vida nos olhos.
Case-se com alguém cheio de defeitos, irritante que seja, mas desconfie dos perfeitinhos que não se despenteiam. Fuja de quem conta pequenas mentiras durante o dia. Observe o caráter, antes de perceber as caspas.
Case-se com alguém por quem tenha tesão. Principalmente tesão de vida. Alguém que não o peça para melhorar, que não o critique gratuitamente, alguém que simplesmente seja tão gracioso e admirável que impregne em você a vontade de ser melhor e maior, para si mesmo.
Para se casar, bastam pequenas habilidades. Certifique-se de que um dos dois sabe cumpri-las. É preciso ter quem troque lâmpadas e quem siga uma receita sem atear fogo na cozinha; é preciso ter alguém que saiba fazer massagem nos pés e alguém que saiba escolher verduras no mercado. E assim segue-se: um faz bolinho de chuva, o outro escolhe bons filmes; um pendura o quadro e o outro cuida para que não fique torto. Tem aquele que escolhe os presentes para as festas de criança e aquele que sabe furar uma parede, e só a parede por hora. Essa é uma das grandes graças da coisa toda, ter uma boa equipe de dois.
Passamos tanto tempo observando se nos encaixamos na cama, se sentimos estalinhos no beijo, se nossos signos se complementam no zodíaco, que deixamos de prestar atenção no que realmente importa; os valores. Essa palavra antiga e, hoje assustadora, nunca deveria sair de moda. Os lábios se buscam, os corpos encontram espaços, mas quando duas pessoas olham em direções diferentes, simplesmente não podem caminhar juntas. É duro, mas é a verdade.
Desta forma, esqueça todas as sugestões anteriores e guarde uma simples: antes de casar-se com alguém é preciso conhecê-lo bem, e isso é profundamente difícil quando não se conhece minimamente a si próprio. Sabendo que caminho quer trilhar, relaxe! A pessoa certa para casar certamente já o anda trilhando. Como reconhecê-la? Vocês estarão rindo. Rindo-se.”
AUTOR:
Desconhecido
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